Apontada há alguns anos como inimiga da saúde dos atletas, a
suplementação de creatina está reabilitada.
Encontrada em alimentos de origem animal – especialmente carne
vermelha e peixes – e produzida naturalmente pelo organismo humano, a creatina
é uma substância encarregada de levar combustível aos músculos. Como tal,
acabou chamando a atenção dos laboratórios, que passaram a fabricá-la como um
suplemento alimentar que logo adquiriu status de poção mágica para quem buscava
alguns décimos de segundos a menos nas pistas de corrida ou alguns a mais de
músculos no corpo. Até aí, tudo bem.
A primeira vez que se falou de creatina foi nas Olimpíadas
de Barcelona, em 1992. O velocista inglês Linford Christie creditou sua vitória
nos 100 metros rasos aos efeitos da droga. Quatro anos mais tarde, o suplemento
fazia parte da dieta da maioria dos atletas que participaram dos Jogos de
Atlanta. Virou moda entre atletas amadores e profissionais e passou a ser usada
livremente nas academias, até que alguém lembrou que seu uso na forma sintética
poderia causar problemas por conta da forma de como ela é excretada pelo
organismo – através de sua conversão irreversível e não enzimática à creatina,
substância que é eliminada pelos rins. Muita creatina no sangue é sinal de
comprometimentos das funções renais. Os rins não estariam dando conta de
eliminá-la do organismo.
Daí que durante muito tempo acreditou-se que a suplementação poderia causar danos renais. Hoje, porém, está mais do que provado que a ingestão de creatina por pessoas saudáveis não causa danos ao fígado e aos rins, desde que na dosagem preconizada por um médico ou nutricionista.
Além disso, muitos estudos não apenas demonstram o efeito benéfico da creatina na atividade física como ressaltam o seu papel terapêutico no combate a várias doenças, sendo capaz de atenuar o estado degenerativo em alguns distúrbios musculares (ou seja, Duchenne e miopias inflamatórias), do sistema nervoso central (isto é, mal de Parkinson, de Huntington e de Alzheimer), de ossos e metabólicos (isto é, a osteoporose e diabetes tipo II).
Na corrida, a utilização da suplementação de creatina é extremamente interessante, não para o ganho de massa muscular, mas para estimular a recuperação. Existem fortes indícios de que a suplementação de creatina favorece o acúmulo de glicogênio, a mais rápida e eficiente fonte de energia para a contração muscular.
Vale lembrar que existe uma quantidade determinada de creatina que conseguimos absorver. Se alguém exagerar na dose, vai sentir menos efeito da suplementação, comparado aos atletas que têm baixa ingestão, como os vegetarianos, por exemplo.
Por Mariana Klopfer – formada em nutrição pela Universidade de São Paulo e diretora clínica da Nutricius – Nutrição Esportiva
Revista O2 jul/2012

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